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quinta-feira, 6 de dezembro de 2012

“Anula en mí mi masculinidade” (del Irmão Antoninus)



“Anula en mí mi masculinidade” 

Anula mi masculinidad, Señor, 

Y tórname mujer y frágil, 

Si por esta total transformación 

Puedo saber mejor de Ti. 

¿De qué vale el mi propio sexo 

Si un audaz instinto posesivo 

Sólo haría alejarTe de mí? 

Cuánta inutilidad habita mis ancas, 

Para instigar, instigar el feroz instinto de la vida, 

Cuando lo necesario es una inmovilidad silenciosa. 

“L’alma es femenina para Dios.” 

(del Irmão Antoninus)



“Anula em mim minha masculinidade” 

Anula minha masculinidade, 

Senhor E torna-me mulher e frágil, 

Se por esta total transformação 

Eu puder conhecer melhor a Ti. 

De que vale o meu próprio sexo 

Se o audaz instinto possessivo 

Só faria afastar-Te de mim? 

Quanta inutilidade habita meus quadris, 

Para instigar, instigar o feroz orgulho da vida, 

Quando necessário é uma imobilidade silenciosa. 

“A alma é feminina para Deus.”

domingo, 2 de dezembro de 2012

LILITH, O MITO( By Anja Arcanja)




 By Anja Arcanja

O Canto de Lilith (Romulo Narducci)


Sou do desejo a inspiração divina,
Dos homens o paraíso e o inferno.
Não há castelos, presídios ou mosteiros
Que eu não entre furtiva
E semeie o desejo pleno.

Penetro mentes em doces devaneios,
Invado corpos em frenesis supremos.
O oriente conclamou-me religião,
O ocidente devotou-me maldições.

Inspirei Sade em seu clastro,
Tentei Cristo e Sidarta.
Não há quem não resista ao meu abraço,
Não há quem não sinta o fio da adaga,
E aos conjurosos movimentos de meus quadris
Não se entregue ao meu beijo perdido.

Beije-me e terás a morte dos sentidos!


Lilith... um mito que precede o folclore judaico, pois é de origem Suméria, sendo a resplandecente "Rainha do Céu", seu nome, “Lil” sinônimo de “ar” ou ‘tormenta”. Segundo Engelhard, a figura feminina de Lilith está presente nas mitologias sumerianas, babilônicas, assíria, Cananéia, hebraica, árabe, persa e teutônica, mas, é rejeitada pela cultura e religião judaica sobremodo,  tradicional, machista e patriarcal (redundância intencional). Mas o mito ganhou força mesmo nas lendas folclóricas assírio, babilônica e  hebraica, habitando sempre os desertos e, na cultura hebraica, após abandonar a Adão fugiu para o deserto,  onde teve turbulentas aventuras eróticas com anjos caídos e se firmou como demônio. Lilith profanou o nome de Deus e, habitava nos desertos no em torno ao mar vermelho, onde também habitam os demônios e espíritos malignos, segundo a tradição hebraica, é um lugar maldito! Com sua sede de vingança, ceifava a vidas dos viajantes que passavam, mantendo com eles relações sexuais e após o coito, decepava-lhes o pênis apenas com a força da vagina. Reza a lenda que Lilith era capaz de gerar 100 filhos por dia! Incubus, quando masculinos e sucubus quando femininos. Eram demônios com poderes vampíricos e daí surgiram as lendas dos vampiros.  Nas lendas judaicas onde impera o machismo e o regime patriarcal, Lilith é sempre vista de forma negativa, enquanto Eva, é apresentada como dona de uma singular beleza e de qualidades impares e sempre, SUBMISSA.

São inúmeros e divergentes os relatos orais e escritos sobre o mito Lilith. Samael Aun Weor, fundador do Movimento Gnóstico Cristão Universal diz que Adão teria tido duas esposas originalmente: Lilit e Nahemah. Para Samael Aun Weor, “Lilith é a mãe dos abortos, da homossexualidade e, em geral, de toda classe de crimes contra a natureza. Nahemah é a mãe da beleza maligna, da paixão e do adultério”.  Por isso, ambas refletiriam o que os esotéricos gnósticos chamam de infrassexualidade, que é tratada pelos gnósticos, como toda a relação “contrária” a natureza humana, como por exemplo, PARAFILIAS, COMPULSÕES, FIXAÇÕES, PERVERSÕES, FETICHES, FANTASIAS e demais “desvios” em relação ao que se considera sexualidade "normal". É um demônio!

É impossível não fazer uma análise do mito de Lilith em relação ao surgimento da inquisição na Idade Média; pois estão intimamente ligados. No tribunal do Santo Ofício os inquisidores consideravam como bruxa toda mulher que demonstrasse algum tipo de rebeldia contra a ordem patriarcal. A rebeldia era o primeiro sinal de bruxaria. Se a mulher fosse ruiva ou albina, o inquisidor não tinha mais dúvida que estava realmente diante de uma bruxa. O julgamento era precedido de torturas e, durante o julgamento a mulher era torturada in extremis até confessar suas relações com o demônio. Quando esta confissão ocorria os inquisidores aumentavam as torturas até que a mulher confessasse que mantivera relações sexuais com o demônio. Estas supostas relações sexuais eram descritas com riquezas de detalhes eróticos o que transformava o tribunal do Santo Oficio numa orgia sadomasoquista. A punição de Lilith, por outro lado, reside no seu banimento da comunidade dos homens: no isolamento social e na solidão. Ela deve sofrer as consequências dos seus atos sozinha no deserto. Deve ainda atormentar com sua sensualidade e seu erotismo o sonho casto do santo, daquele que busca ter um coração puro. Nisto consiste a sua maldição. Ela agora não é apenas excluída, é temida. E pela força da sua sensualidade é também desejada. A relação de Lilith com o sexo oposto é marcada pela ambivalência: amor e ódio, atração e repulsão, medo e desejo, prazer e destruição.

Como disse Engelhard:

"Toda a experiência de angústia, que combina opressão, terror, pânico, ânsia, susto, respiração ofegante, frenesi, é a terrível presença de Lilith, que também provoca, com sua força sexual psíquica, orgasmos desenfreados, desejos promíscuos. Porém, logo em seguida, sobrevém grande melancolia, profundo mal estar, sensação de peso e profunda depressão, sentimento de insegurança e desconfiança, com choros súbitos e dores de cabeça, além de moleza nos membros inferiores."

Muitos veem no mito Lilith apenas a luxúria e desenfreado desejo sexual e de onde vem também o desejo pela homossexualidade e é a causa da repulsa pelos cristãos, que, sem ter conhecimento do que representa o mito, o demonizam e até hoje dão aos que, seja por força de um distúrbio ou que seja sua natureza, tem um apetite sexual exacerbado em comparação a maioria comum, estar sendo dominado pelo demônio Lilith, demônio que invade os sonhos masculinos causando-lhes polução noturna ou desejo de masturbação e nas mulheres, desenfreado desejo sexual ou bissexual (este também presente nos homens).

Mas não é apenas assim que Lilith deve ser vista, antes, ela representa o desejo de se compreender a diferença entre os mitos da criação de Gênesis, já que em sua primeira história Genesis 1: 26 - 28, homem e mulher são criados iguais e conjuntamente, enquanto na segunda história, em Gênesis 2: 20 - 25, a mulher é criada depois do homem e a partir de seu corpo. Talvez daí, Lilith, tendo sido feita da mesma matéria prima de Adão, sentindo-se (e sendo) igual a ele, não admitia apenas ser dominada na hora da cópula, mas queria dividir com Adão a tarefa não apenas de nomear a criação, mas quiçá também quisesse zelar do jardim, dividindo igualmente com o homem todas as tarefas; tanto as dele, como as dela e é esta lógica que hoje muitas mulheres veem em Lilith. A luta não por independência, mas por igualdade.

Priscila Pereira, ativista feminista, teóloga e mestrando em ciência da religião, assim descreve Lilith: 

“Lilith, que segundo o mito rabínico, foi a primeira esposa de Adão; a mulher que não foi criada da costela, mas da mesma estrutura e junto ao homem; aquela que tinha liberdade com o próprio corpo, com sua sexualidade, e por causa disso, foi expulsa e demonizada, para que servisse de exemplo às suas descendentes, e ficasse subentendido que a mulher vem do homem, deve se submeter e dar prazer, e não receber. A primeira feminista, que brigou contra os dogmas, conhecia o próprio corpo e teve coragem de sair de sua zona de conforto em busca de sua liberdade e igualdade.”

E é assim que eu, Rozana, também a vejo: o mito que anseia igualdade, a mulher que não se submete, mas também seria um demônio que atrai e afugenta os homens? É temida e desejada? Mas, a força masculina imposta por uma sociedade que provém de uma cultura historicamente patriarcal, sufocou o grito do mito Lilith e não apenas o sufocou, mas, o demonizou e deu-lhe o status de mãe de toda impureza e (homo) sexualidade tida pela sociedade (patriarcal) como sendo algo antinatural, impróprio, indesejado e que, portanto, devesse ser banida de nosso convívio, usando todo e qualquer meio necessário para banir do convívio da sociedade, este mal demoníaco que veio para assombrar não somente homens, mas também mulheres com seu desejo, volúpia e compulsão pelo prazer (seja ele sexual ou não).

Sou indomável, sou sexual, sou temida e não temo a ninguém; eu vou à busca do que quero e, conquisto. Eu sou Lilith! (Anja Arcanja).

"Desde o início da criação, foi somente um sonho" (Rabi Simon ben Laqish)





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