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quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

A DOENÇA DE PAULO DE TARSO E SEU FANATISMO

São paulo Rafaello Sanzio.jpg

O fanático religioso


Paulo era filho de fariseu. Foi discípulo de Gamaliel, o renomado doutor da lei daquele tempo. Nasceu em Tarso, Cicília e era um cidadão romano. Antes de ser um fanático cristão, Paulo foi um fanático fariseu, que votava na pena de morte dos seguidores da nova seita conhecido como nazarenos [Atos 8:1]. Participava pessoalmente das prisões desses nazarenos tão odiados pelos fariseus.  Milagrosamente e num piscar de olhos, Paulo transforma-se num fanático cristão. De perseguidor tornou-se um perseguido e prova do próprio veneno.

Uma coisa é certa, Paulo de Tarso criou o uma nova religião fundamentada no farisaísmo e inspirada no movimento dos nazarenos. A partir daí, o que chamamos de cristianismo não é nada mais do que a doutrina de Paulo. Paulo deixa bem claro em suas cartas que o seu evangelho é diferente, que lhe foi dado por revelação divina e sem intermediário. Segundo ele, pelo próprio Jesus, o nazareno. Ele não recebeu instrução de nenhum discípulo ou apóstolo. Ele mesmo se promoveu a apóstolo dos pagãos [Romanos 11:13] Ver também: [2 Coríntios11:31 a 33]. Dessa forma, Paulo torna-se o grande concorrente dos apóstolos. A doutrina dos apóstolos era uma doutrina Pura e original, que foi transmitido oralmente pelo nazareno. A doutrina de Paulo foi supostamente revelada. A doutrina dos apóstolos desapareceu, restando apenas fragmentos. Mas a de Paulo sobreviveu e vingou, graças aos seus manuscritos e a sua tenacidade. Ele foi o primeiro a escrever sobre o cristianismo [aproximada 40 a 50 anos depois de cristo]. Sobre a sua doutrina Paulo escreve:

“Mas, quando aprouve a Deus, que desde o ventre de minha mãe me separou, e me chamou pela sua graça,
Revelar seu Filho em mim, para que o pregasse entre os gentios, não consultei a carne nem o sangue,
Nem tornei a Jerusalém, a ter com os que já antes de mim eram apóstolos, mas parti para a Arábia, e voltei outra vez a Damasco” Gálatas 1:15-23

“No dia em que Deus há de julgar os segredos dos homens, por Jesus Cristo, segundo o meu evangelho” Romanos 2:16

“Mas, ainda que nós mesmos ou um anjo do céu vos anuncie outro evangelho além do que já vos tenho anunciado, seja anátema.
Assim, como já vo-lo dissemos, agora de novo também vo-lo digo. Se alguém vos anunciar outro evangelho além do que já recebestes, seja anátema.”  Gálatas 1:6-9

A doença sagrada

40 - S. Paolo - Caravaggio.jpg

Paulo tinha um misterioso espinho na carne. A bíblia não deixa claro o que seria esse espinho na carne de Paulo.

“E, para que não me exaltasse pela excelência das revelações, foi-me dado um espinho na carne, a saber, um mensageiro de Satanás para me esbofetear, a fim de não me exaltar.
Acerca do qual três vezes orei ao Senhor para que se desviasse de mim.” [2 Coríntios 12:7-8]

Paulo associa o seu “espinho na carne” a um demônio que entrava nele de vez em quando. Daí a expressão “mensageiro de satanás”. Essa era a crença da época: certas doenças ou perturbações mentais eram atribuídas a demônios [possessos]. Os gregos acreditavam que só um deus seria capaz de possuir um homem, privando-o dos seus sentidos, provocando-lhe uma queda e convulsões e depois deixá-lo como se nada tivesse acontecido, por isso, chamavam essas manifestações de “doença sagrada”.

É isso mesmo, que o leitor esta pensando... Paulo tinha a “doença sagrada.” Os copistas bíblicos tentaram ocultar isso a todo custo, mas, certos textos deixam isso muito claro. Para os antigos egípcios e babilônios, essas convulsões eram os castigos dos deuses. Para As antigos gregos, quando alguém caia em convulsões, eram os deuses se manifestando através daquela pessoa. Mas para os judeus eram demônios que estavam possuindo aquela pessoa. Não é de se admirar, por que o evangelho de Paulo foi rejeitado pelos judeus e abraçado pelos gentios [gregos na maioria]. Os judeus acusavam Paulo de estar com demônio, já os pagãos, pensavam diferente, foi até confundido com um deus [Atos 28:3 a 6].

Assim como a antiga lepra, é hoje conhecida como, hanseníase, a “doença sagrada” é hoje conhecida como: epilepsia.
O termo “epilepsia” surgiu durante a civilização grega, embora subsistisse a crença na sua origem divina. A doença ficou conhecida como “Doença Sagrada”, encarada como uma conseqüência dos caprichos dos deuses.
Foi o grego Hipócrates, no ano 400 a. c. o primeiro a levantar o véu de misticismo que cobria a epilepsia. Num livro intitulado “Sobre a Doença Sagrada”, refutava a idéia de que a epilepsia era uma maldição ou um poder profético. Considerava que a “Doença Sagrada”, tal como todas as outras, tinha causa natural. Eu tenho convicção, de que Paulo de Tarso sofria de epilepsia. Os textos Bíblicos corroboram com a minha tese. Existem quatro tipos de epilepsias, mas vou citar aqui apenas dois exemplos:

Epilepsia Focal Simples. Esta forma de epilepsia, também chamada de Epilepsia Jacksoniana, não causa perda da consciência, mas as pessoas afetadas podem se queixar de períodos de confusão mental, movimentos inusitados, tremores, sensações de dejavu, alucinações leves ou respostas extremas para gostos ou cheiros. Após a crise de ausência, a pessoa em geral se queixa de fraqueza temporária em certos músculos.
Este tipo responde por pouco mais da metade dos casos de Epilepsia em adultos. Em 80% dos pacientes, o problema está no lobo temporal do cérebro, uma região localizada próxima ao ouvido; nos 20% restantes, o problema está no lobo frontal. Os distúrbios nesta área do cérebro podem resultar em erros de julgamento, comportamentos involuntários ou descontrolados, ou mesmo perda da consciência.

Epilepsia Focal Complexa. Muitas pessoas com Epilepsia Focal Complexa apresentam sinais de alarme antes da ocorrência das convulsões. Estes sinais são chamados Auras, e podem ser representadas por diversas sensações olfativas, visuais ou auditivas.
Durante as crises (que não duram mais de 2 minutos), estas pessoas podem perder a consciência durante um breve período de tempo, parecendo estar aéreas, com um olhar perdido. As emoções podem ser exageradas e alguns pacientes podem se comportar como se estivesse embriagados e, após alguns segundos, começam a realizar movimentos repetitivos (p.ex.: mastigar, estalar os lábios, etc). (*)


A doença de Paulo transforma ele num cristão.

“Ora, aconteceu que, indo eu já de caminho, e chegando perto de Damasco, quase ao meio-dia, de repente me rodeou uma grande luz do céu” [Atos 22:6] e [Atos 26:12 a 14].

O que me chamou atenção no texto, foi fato do sol estar a pino, ou seja, meio dia. Meio dia numa região árida e desértica faz que os raios solares fiquem cintilantes. Todos sabem que fogo e luz cintilante, provocam crises epilépticas.

Eu defendo a tese, de que, a verdadeira causa da conversão de Paulo de Tarso foi a sua doença. Quando a luz “cegou” os seus olhos, ele teve uma crise epiléptica e caiu do cavalo. Começou a se contorcer e a ouvir aquela voz de dentro da sua própria cabeça e uma área que ele identificou um nazareno “etéreo” [só ele ouvia a voz]. Os amigos de Paulo não entenderam nada do que estava acontecendo, pois, não viram e nem ouviram nada além do comportamento estranho de Paulo. Assim nasceu a doutrina de Paulo.
Depois disso, Paulo saiu espalhando que tinha visto nazareno em pessoa. Vai a Jerusalém conhecer os apóstolos. A princípio, eles não tiveram nada contra, mas, recomendaram que não se esquecessem dele nas coletas.  Porém, a forma como Paulo ensinava começou a incomodar os apóstolos e verdadeiros discípulos. Estes também começaram refutar Paulo. Foi ai que começou a intriga e a disputa entres os dois evangelhos.

Paulo então começa atacar os pregadores judeus; chamavam a esses, de mutilados [os discípulos judeus eram circuncidados conforme a tradição]. A partir daí começa a advertir e prevenir aos discípulos contra os falsos ensinos, referindo-se aos judeus cristãos [Romanos 16:17 a 20].

O evangelho que foi transmitido oralmente pelo nazareno, desapareceu, restando apenas fragmentos. O de Paulo sobreviveu graças as suas cartas e ao seu empenho.

Continua... (não percam o próximo artigo)

Fontes para pesquisas de epilepsia:



Licença Creative Commons
A doença de Paulo e seu nfanatismo de José Lopes "El Lobo" é licenciado sob uma Licença Creative Commons Atribuição-Uso não-comercial-Vedada a criação de obras derivadas 3.0 Brasil.
Based on a work at omundodaanja.blogspot.com.

4 comentários:

Priscila Anjo disse...

Que texto INCRÍVEEEEL!!!
Nunca tinha pensado nessa possibilidade, e realmente faz muito sentido.
Já tem um tempo que critico um cristianismo baseado mais nas regras paulinas que nos próprios ensinamentos dos Evangelhos.
Mas apesar de não saber ao certo se concordo com o que está escrito, preciso concordar que faz MUITO sentido.
Parabéns pelo texto e pela pesquisa.
Pode acreditar que abriu ainda mais as possibilidades teológicas a respeito de Paulo pra mim, e me faz repensar muitas coisas.

LOPES disse...

Obrigado Priscila, vc foi muito gentil no seu comentário. A minha tese foi lançada, contendo algumas falhas, mas, que já sendo revista na próxima matéria, que uma continuação dessa.

Por exemplo: nessa matéria eu digo que Paulo desenvolveu o seu evangelho, baseando-se no farisaísmo, mas, é o que aparenta. Quando se verifica com mais cuidado, veremos que os versículos supostamente citados por Paulo, não foram citados por Paulo, tratam-se dos embustes feitos pelos pais da igreja, pra ocultar o gnosticismo de paulo. O primeiros cristão eram gnósticos. Paulo foi o verdadeiro fundador do cristianismo primitivo.
Jesus não fundou o cristianismo.

RODRIGO PHANARDZIS ANCORA DA LUZ disse...

Olá!

Penso que, quando estamos pesquisando o cristianismo em suas origens, apenas podemos lidar com hipóteses. E esta sobre a doença de Paulo não deixa de ser justificável.

Existe a possibilidade também de que o personagem Paulo de Atos e das cartas tenha sido também um arquétipo criado pelos padres gregos do século II, com a finalidade de justificarem a falsa autoridade do cristianismo. O livro de Atos tenta convencer o leitor sobre como a fé em Cristo teria deixado as terras palestinas para chegar à Península Anatólica e, finalmente, em Roma. Sem Atos e sem o apóstolo Paulo ficaria difícil de alguém aceitar o cristianismo como um movimento autêntico já que, em meados do século II, ele já era um movimento essencialmente grego.

Teria Paulo existido? Esta é a mesma pergunta que um pesquisador da História faria acerca de Jesus. Eu, particularmente, penso que ele, Jesus e os apóstolos existiram, mas que tiveram histórias bem diferentes das que nos foram contadas no Novo Testamento e sem tanta expressão, já que faltam fotnes não cristãs para confirmarem a versão do cristianismo.

Todavia, o "apóstolo dos gentios" representa um resgate dos prosélitos gregos do judaísmo. Isto porque, no século I, 10% do mundo romano era judeu. Muitos eram os gregos que frequentavam as sinagogas e existiam até fariseus missionários da escola de Hillel. Então, por razão de proteção cultural, os gregos resolveram inventar um judaísmo helenizado. Algo capaz de substituir o judaísmo que crescente na Diáspora, fazendo assim uma mescla com o paganismo.

É certo que os judeus na Diáspora já não seguiam a religião de maneira totalmente pura como em Israel. Porém, não se misturavam com a cultura grega. E assim, surgiram vários Paulos, isto é, padres gregos que buscaram tirar das sinagogas os novos convertidos ao judaísmo.

CARLOS OS disse...

SÓ MESMO, OS CEGOS ESPIRITUAIS E DESPROVIDOS DA VERDADEIRA UNÇÃO PARA INTERPRETAÇÃO DAS SAGRADAS ESCRITURAS, PODEM TE DAR ATENÇÃO ¨ANJA¨.

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