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terça-feira, 31 de janeiro de 2012

CONTRADIÇÕES BÍBLICAS - Deus criou as plantas antes do sol. Mas elas não sobrevivem sem fotossíntese.



Estou dando início a uma nova série de postagens com o título "contradições bíblicas". Esta série terá um marcador específico. Espero que gostem e comentem. 

Anja...

Deus criou as plantas antes do sol.
Mas elas não sobrevivem sem fotossíntese.

Por Austin Cline

Há um erro científico na Bíblia sobre a natureza das plantas. Gênesis retrata Deus criando as plantas no terceiro dia, embora o sol tenha sido concebido no quarto dia da criação. Plantas só sobrevivem com a fotossíntese, e esta só é possível com o sol. Assim, só faria sentido se as plantas tivessem sido criadas depois do sol.

A criação das plantas está em Gênesis 1:11-12: “E disse Deus: Produza a terra erva verde, erva que dê semente, árvore frutífera que dê fruto segundo a sua espécie, cuja semente está nela sobre a terra; e assim foi. E a terra produziu erva, erva dando semente conforme a sua espécie, e a árvore frutífera, cuja semente está nela conforme a sua espécie; e viu Deus que era bom”.

Sobre o sol, diz Gênesis 1: 14-19: “E disse Deus: Haja luminares na expansão dos céus, para haver separação entre o dia e a noite; e sejam eles para sinais e para tempos determinados e para dias e anos. E sejam para luminares na expansão dos céus, para iluminar a terra; e assim foi. E fez Deus os dois grandes luminares: o luminar maior para governar o dia, e o luminar menor para governar a noite; e fez as estrelas. E Deus os pôs na expansão dos céus para iluminar a terra. E para governar o dia e a noite, e para fazer separação entre a luz e as trevas; e viu Deus que era bom. E foi a tarde e a manhã, o dia quarto".

A criação das plantas antes do sol é um dos muitos erros científicos da Bíblia. Mesmo no sentido alegórico trata-se de uma inconsistência porque os eventos não estão colocados na ordem correta. A ciência mostra que as plantas surgiram na terra em um processo de evolução que demandou muito tempo.


Via conexão da Graça

Evangélicos, gays, e o inferno

Bancada evangélica. Detalhe: sen. Magno Malta


Por Marcelo Carneiro da Cunha*

Na minha visão do inferno, estimados leitores, o calor é porto-alegrense, a comida é de bufê por quilo, a música se alterna entre o sertanejo universitário, o axé e um mix dos melhores momentos de Los Hermanos e Legião Urbana. A melhor parte é que as únicas opções de conversa são o Silas Malafaia, a Benedita da Silva, o Magno Malta e Anthony Garotinho.

Assim é o inferno, lugar tão dantesco que o diabo mesmo se mandou, após uma candidatura bem sucedida ao Senado pelo PR de qualquer estado. O inferno é o lugar para onde os evangélicos acreditam que eu, você, o senhor aqui ao lado, todos vão, se forem gays. Evangélicos sentem muito, muito medo dos gays.

Os nazistas também sentiam muito medo dos judeus. Os turcos sentiam muito medo dos armênios. Os brancos do sul dos Estados Unidos sentiam muito, muito medo dos negros. Os hutu tinham muito medo dos tutsi. Os fundamentalistas islâmicos morrem de medo das mulheres, dos adúlteros, ah, e dos gays. Os brancos têm muito medo dos indígenas. Os destros sentem medo dos canhotos. Os japoneses já tiveram medo dos coreanos e chineses, assim como os israelenses não atravessam a rua se do outro lado vier um palestino, e, nesse caso, ao que parece, o medo é recíproco.

Magno Malta, que sim, é um senador da República, além dos bicos que faz de papagaio de pirata da Dilma, tem medo de que o Brasil vire um império gay.

O inferno, caros leitores, é o lugar criado especialmente para se armazenar os nossos medos, todos eles. Os medrosos nada mais querem do que transformar a vida de todos em um inferno. A tal de frente evangélica quer transformar a nossa vida em um inferno, tudo graças ao medo.

Quem é mediado pelo medo não é capaz de dar um passo em direção ao que não conheça. E quem é ignorante, tem medo de tudo, exatamente por ser ignorante. Quem, além de ignorante, recebe uma bíblia e todas as certezas do mundo, sente o seu medo se transformar em ódio e intolerância. E é isso que vivemos, graças a esses representantes do pior, instalados de maneira muito equivocada em um parlamento democrático.

A democracia, ora vejam, caros leitores, não é simplesmente o sistema que representa a maioria. A democracia se define por ser o sistema que defende os interesses de todos. Ela preserva, acima de tudo, os direitos das minorias. As maiorias não precisam tanto assim de proteção, concordam?

O nosso sistema democrático está sendo ameaçado por gente que não acredita em direitos dos demais, porque, na sua ignorância total e totalitária, se acredita dona da razão. Isso seria engraçado, se não fosse aqui e agora. Gente que vive na mais completa ignorância se achando dona da razão, algo de que abdicaram em troca das suas certezas. O que, mas o que mesmo, gente do calibre de um Garotinho, de uma Benedita, de um Magno Malta, podem ter a acrescentar ao que quer que valha a pena ver e ouvir?

Eles vêm nos dizer que aqui, diferentemente do Irã, existem gays e eles são o mal. O que você acha disso, nobre leitor? Você acha que o mal é culpa dos gays? Ou dos judeus, dos palestinos, dos negros, dos indígenas, dos tutsis, das mulheres, dos coreanos, dos chineses, dos canhotos, dos armênios ou dos Carneiro da Cunha? O mal é frequentemente praticado por gente ruim. Olhe a foto de um Jean Wyllys, e então olhe a foto de um Malafaia, de um Garotinho, de um Magno Malta ou de um Wellington Jr. Quem lhe parece mais capaz de fazer maldades com a mais total tranquilidade?

A nossa Constituição é o nosso maior e melhor documento anti-inferno. Ela diz que somos todos iguais perante o estado e a lei. Olhem bem: todos. Até mesmo o Malta e Garotinho, até mesmo esses seres desdotados da mínima capacidade de leitura do que não for uma velha e inútil bíblia, se estamos em uma república laica. Todos, todos iguais.

Eu não acho que os Malafaia, Garotinho, Malta ou Benedita sejam iguais a mim, porque eu acredito na igualdade e eles não. Eu acredito na bondade e eles não. Tanto eles não acreditam na bondade, que não aceitam a lei que torna a homofobia um crime. Se eles não querem a lei, é porque querem manter o direito de praticar a odiosa homofobia, como fazem nas suas seitas. Querem o direito equivalente ao direito de praticar o racismo, a discriminação e o sexismo, que não existe.

Eles querem, basicamente, que o nosso mundo se transforme num inferno sobre a Terra. Normalmente, eu não acredito no inferno. Olhar para eles me faz acreditar, se não na sua existência, então na sua possibilidade. Eu não quero que essa possibilidade seja vencedora. Existe muita beleza em toda parte, nesse mundo de tantas partes. Se eles não vêem, nós vemos. E, quem vê, ora vejam, vence.


Armazenado em Homosdsexualidade

* Marcelo Carneiro da Cunha é escritor e jornalista. Escreveu o argumento do curta-metragem "O Branco", premiado em Berlim e outros importantes festivais. Entre outros, publicou o livro de contos "Simples" e o romance "O Nosso Juiz", pela editora Record. Acaba de escrever o romance "Depois do Sexo", que foi publicado em junho pela Record. Dois longas-metragens estão sendo produzidos a partir de seus romances "Insônia" e "Antes que o Mundo Acabe", publicados pela editora Projeto.

Na sola dos “cinco solas”





Confesso que os “defensores da fé” me cansam.

Cansam porque não produzem nada a não ser a crítica de quem pensa diferente. E para julgarem quem pensa diferente, tendo “base histórica” e “bíblica”, muitos deles utilizam-se dos cinco solas, que nada mais são do que afirmações, em latim, sobre aspectos que “delineariam” a confissão de fé cristã nos tempos “reformados” (o excesso de aspas é inevitável).

O interessante é que até os cinco solas são frutos de interpretação (como toda leitura da Bíblia o é) e de um tempo, de uma era. Torná-los imutáveis e monointerpretativos seria uma afronta ao próprio espírito da Reforma que dizem acolher. E quando se tornam engessados, viram arma nas mãos de seus utilizadores e, claro, a favor da “defesa da fé”.

Ok! Mas… que fé?

Aliás, que Cristo? Que Graça? Que Escrituras? Que Glória de Deus?

Não adianta você me tirar da cartola os cinco solas… primeiro tem que me dizer do que você está falando. Pode ser que usemos a mesma frase (em latim) para dizermos coisas totalmente diferentes, entendeu?

Vamos aos exemplos:

Quando eu digo SOLA FIDE (somente a fé), falo da experiência com o sagrado, com o intangível, o numinoso, o transcendente. E essa experiência não é privilégio só dos que têm a Bíblia como “regra de fé e prática”. A fé não tem copyright. Não é propriedade exclusiva de um grupo, muito menos de um livro. Fé é algo tão pessoal e místico que não me cabe duvidar da experiência do outro. Pode ser que ele, o outro, esteja experimentando uma face de Deus que eu ainda desconheço, por isso,este outro merece, no mínimo, o meu respeito.

Quando um “defensor da fé” diz SOLA FIDE, em primeiro lugar ele está falando do seu objeto de defesa. Fé deixa de ser a experiência para ser um objeto de defesa. E se for tido como experiência TEM QUE ser a MESMA experiência dele, se não, não é “verdadeira”. A experiência que é diferente da dele é um inimigo a ser combatido! Para isso envidará esforços, elegerá hereges, acenderá fogueiras. O importante é “batalhar pela fé uma vez entregue aos santos”. Fé, neste caso, é motivo de luta, de guerra, de defesa!



Quando eu digo SOLO CHRISTUS (Somente Cristo), estou falando de uma pessoa. O Deus encarnado, a Palavra feita gente, Emanuel, aquele que traduz em si o amor de Deus pela humanidade, tornando-se humano. De tão humano, divino! É amor tomando forma, cheiro, toque, voz… e, seguindo o seu exemplo, tornamo-nos melhores seres humanos. Quando digo o SOLO CHRISTUS me vem à mente que toda salvação passa por ele, o segundo Adão, e que se o primeiro Adão torna o pecado “universal”, o segundo Adão torna a salvação “universal”, sem mérito ou demérito de quem quer que seja. Se diferente disso, o “erro” do primeiro Adão seria mais forte e mais poderoso do que o “acerto” do segundo Adão. Por que a tal “solidariedade da raça” só vale para o pecado e não para a salvação?

Porém, quando um “defensor da fé” diz SOLO CHRISTUS, ele está dizendo que só a salvação na confissão de fé dele sobre o Cristo. Que só a salvação no NOME de “Jesus”. E quem não confessar esse NOME, por mais que nunca tenha ouvido falar dele, ou por mais que já viva na prática os seus ensinamentos, é um coitado, réu do inferno eterno. Talvez um predestinado mesmo à perdição, obra do grande amor de Deus, que cria uns eleitos para a salvação e outros para torrarem eternamente numa grande fogueira que Ele mesmo criou para lançar aqueles que Ele mesmo determinou que não creriam nEle. Quanto amor! Até porque o CHRISTUS só derramou seu sangue por esses “preferidinhos”, infelizmente deixando de fora todos os outros, tão amados de Deus quanto os eleitos, mas, por sua infinita soberania e poder, incapazes de chegarem à salvação.

Quando eu digo SOLA GRATIA (Somente a Graça), estou falando de graça mesmo, sem divisão, sem preferências. Falo de algo tão louco e absurdo que faltam-me palavras para descrever sua “ação”. A graça é injusta ao salvar gente “do bem” e gente “do mal”, gente “certinha” e gente “torta”, porque é graça, e porque graça atinge gente, seja a “gente” que for. E sua abrangência é ilimitada. Não há confissão de fé capaz de detê-la! Não há conceito que possa diminuir seus efeitos e seus desmandos. Sim, a graça é um desmando de Deus! Subverte toda a lógica e toda a noção que temos de “justiça”. É manifestação de Deus para todos, indistintamente. Creio numa graça que abraça prostitutas, gays, políticos, e até mesmo… religiosos.

Mas, quando um “defensor da fé” diz SOLA GRATIA, em primeiro lugar ele precisa distinguir a graça da graça. Como assim? É óbvio! Existe uma graça “comum” e uma outra, “especial”. Sim, é isso mesmo! Existe uma graça de segunda categoria, tipo aqueles cartões de natal que mandamos pra quem nem conhecemos, desejando simplesmente “boas festas”, e há uma graça caprichada, de primeira, como cartões escritos à mão, cheios de amor, com o cheiro da pessoa amada. A graça “comum” está aí para todos, “quem quiser pode chegar”. Já a graça “especial”, infelizmente (ou felizmente – para eles) não pode atingir a todos, é privilégio dos eleitos, estes sim, podem desfrutar de toda a graça que Deus tem pra dar, mas só pra eles. E graça aqui, deve ser entendida como favor imerecido também, é claro, mas… ai daquele que não observar os mandamentos!

Quando eu digo SOLA SCRIPTURA (Somente a Escritura), estou falando de uma carta de amor, inspirada por Deus, mas escrita por homens, contando histórias de seu povo, conforme seu entendimento temporal das realidades ao seu redor. Nesta carta, que fala muito mais da percepção que os homens, em seu tempo, tinham de Deus, percebo um Ser divino em todo tempo buscando relação com toda a humanidade. Um Deus que tem prazer no diálogo, na amizade, e que como prova maior dessa busca, se diminui, se enfraquece, e se faz homem, não porque “não tinha outra opção”, mas porque tanto amor tinha que ser demonstrado e vivido na sua completude, no ser igual ao ser amado. SOLA SCRIPTURA se manifesta quando percebo a carta de amor em toda sua amplitude e carinho, culminando na Palavra encarnada, o CHRISTUS. Por isso, qualquer interpretação que fuja do CHRISTUS e do amor encarnado nEle, causa-me estranheza. Aliás, o SOLA SCRIPTURA deve sempre levar em conta que QUALQUER leitura já é, em si, uma interpretação, logo, uma aposta e, se tanto, passível de erro.

Porém, quando um “defensor da fé” fala SOLA SCRIPTURA, ele está falando de um MANUAL. E, se é um manual, tudo está ali, resolvidinho, respondido, com a seção de “perguntas e respostas” completa, sem variações. Pecou? O manual traz o castigo, a forma de reprimenda, e o modelo de re-aceitação. Com o manual, é fácil saber quem é o certo e quem é o errado, afinal a equação é simples: faz tudo o que o manual diz: é bom! Vacila em artigos do manual: é mau! E tudo está lá, detalhadamente. Pastores são ungidos do Senhor, logo não devem ser questionados. Gays queimarão no fogo eterno. Mentirosos, orgulhosos, avarentos, ops… pulemos essa parte (aqui o manual deve ter cometido algum equívoco).

Finalmente quando eu digo SOLI DEO GLORIA (Glória somente a Deus),  penso num Deus que é glorificado em todo o mundo, por gente de todas as tribos, raças, línguas e nações que, mesmo não falando “O NOME”, amam uns aos outros, praticam o bem, são capazes de dividir, de compartilhar. Vejo Deus glorificado nas ações de uma Madre Teresa de Calcutá, repartindo sua vida entre os leprosos de uma índia fragmentada pelas castas, da mesma forma que vejo a glória de Deus num homem como Ghandhi, capaz de liderar uma revolução não armada e que influenciará um pastor negro nos Estados Unidos a fazer a mesma coisa. Vejo a glória de Deus quando milhares de pessoas, de todos os credos, gêneros e cores se unem numa corrente de solidariedade, como vi de perto em minha cidade, Teresópolis, atingida por uma tragédia sem precedentes em janeiro de 2011.

Entretanto, quando um “defensor da fé” diz SOLI DEO GLORIA, ele é capaz de ver a glória de Deus não nas pessoas que se solidarizam, mas na própria tragédia em si. Um Deus que mostra a sua glória através da sua ira! Um Deus que é glorificado mesmo numa atitude insana como a de um louco que invade uma escola e atira em crianças indefesas, matando vidas e sonhos. Um “defensor da fé” dá glórias a Deus por isso, e exalta a Sua soberania. A glória de Deus também é manifesta na destruição dos povos pagãos e finalmente, será exercida em toda a sua plenitude nos tempos finais, quando os eleitos herdarão os céus, e Deus, para a Sua própria glória, lançará os não-eleitos na churrasqueira da eternidade: o inferno!

E quem está certo? Não sei!

Só pretendo com este texto provocar a todos que se julgam donos da verdade. Pode ser uma pretensão descabida, mas tentem fazer esse exercício. Tentem imaginar que o “outro” pode ter razão. Assim como eu mesmo posso estar errado em muitas das minhas “visões”.

Estamos navegando naquilo que não é palpável, logo, tudo o que dissermos será fruto daquilo que somos, daquilo que pensamos, antes mesmo que o texto nos fale. E somos seres sujeitos À mudança, logo, não me cabe o julgamento de quem quer que seja. Que entendamos que, na sola dos “cinco solas”, muitas vezes colocamos nossas conveniências, aquilo que nos protege. Na sola (na base) dos nossos “cinco solas” na verdade estamos nós mesmos, com nossas esquisitices e doenças, logo, nossas interpretações falam muito mais de nós que dos reformadores.

E ainda mais, aos “reformados” cabe uma responsabilidade maior de não estacionarem em Genebra, ou em Wittemberg, ou seja lá onde for… a verdade, se é que concordamos que se manifesta em uma PESSOA, é dinâmica, tenta ouvir o seu tempo, tem o seu linguajar, tenta responder às suas próprias perguntas e não as do passado. Igreja reformada, sim, mas não engessada. Sempre se reformando!

Como disse, pode ser que eu esteja errado, e, se for um dos eleitos, riremos de tudo isso na “eternidade”. E se eu não for, sem problemas, vocês estarão ocupados demais e nem se lembrarão das pobres almas no inferno eterno.

Que Deus nos ajude!
 vagando em Reflexões


José Barbosa Junior
Crer e Pensar

segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

Homossexualidade: duas leituras da Bíblia - parte II



By Afonso C. Figueiredo




Homossexualidade: duas leituras da Bíblia - parte II

(continuação)... Bom pra quem não leu a primeira parte segue o link: Homossexualidade: duas leituras da Bíblia - Parte I


Nisso reside o ponto de partida de inúmeras dificuldades de interpretação e não menor número de erros de hermenêutica: quando nós, leitores modernos (estou pensando em nosso mundo ocidental) lemos a Sagrada Escritura de acordo com nossa mentalidade e em nossa própria língua, ambas estruturadas à moda ocidental e moderna, inconscientemente forçamos o texto bíblico escrito à luz de uma mentalidade inteiramente diferente.

Com efeito, quantas vezes o que temos por boa exegese não passa de mera “eisegese” (projeção). Quantas vezes, ao ler a Sagrada Escritura, achamos que estamos partindo dela, quando na verdade estamos apenas “introduzindo nela” a nossa maneira de pensar atual, ulterior e moderna.

Na história da exegese, o ponto de vista sociológico encontrou seu lugar há muito tempo. A atenção que a “Formgeschichte” deu ao ambiente de origem dos textos (“Sitz im Leben”) é um testemunho disso: reconhece-se que as tradições bíblicas levam a marca dos ambientes sócio-culturais que as transmitiram.

Os textos religiosos estão unidos por uma conexão de relação recíproca com as sociedades nas quais eles nascem. Esta constatação vale evidentemente para os textos bíblicos. Conseqüentemente o estudo crítico da Bíblia necessita de um conhecimento tão exato quanto possível dos comportamentos sociais que caracterizam os diversos ambientes nos quais as tradições bíblicas se formaram. Esse gênero de informação sócio-histórica deve ser completado por uma explicação sociológica correta que interprete cientificamente em cada caso, o alcance das condições sociais da existência.

Representante dessa corrente sociológica de interpretação bíblica, Bruce MALINA nos propõe que:

CITO: “Modelos de linguagem em nível mais alto do que a sentença derivam do sistema social do emissor ou escritor. Sem um bom entendimento do sistema social que dá origem a modelos variados de discursos, frequentemente chamados “formas literárias” pelos estudiosos da Bíblia, tais modelos são mal interpretados ou, simplesmente não são entendidos.

O que estou sugerindo é que a Bíblia é necessariamente mal compreendida se seu leitor/intérprete não está fundamentado em uma apreciação dos sistemas sociais nos quais seus escritos surgiram. Além disso, todas as atitudes, valores e interações comportamentais descritas na Bíblia são mal compreendidas, ou, simplesmente não são compreendidas, sem uma suficiente apreciação e entendimento do sistema social declarado e refletido nos escritos Bíblicos.

Até mesmo itens concretos como casa, pátio, xícara, ovelha e cabra possuem significados que se perderam e/ou foram substituídos pelo leitor contemporâneo. A situação interpretativa é ainda mais desesperançosa se considerarmos valores abstratos como paz, riqueza, pobreza, humildade e amor.

O leitor da Bíblia que deseja entender estes termos é deixado com a opção de ler de acordo com os significados e cenários dominantes em nosso sistema social, ou de aprender a Bíblia em termos de cenários apropriados aos sistemas sociais familiares aos autores bíblicos. O que certamente impõe aprender sobre outros sistemas sociais e suas estruturas e valores que podem diferir radicalmente do nosso.” FIM DA CITAÇÃO – Bruce Malina. O EVANGELHO SOCIAL DE JESUS – O Reino de Deus em perspectiva mediterrânea. PAULUS, São Paulo, 2004. p. 15

A nossa questão não é "quais são os textos bíblicos que condenam a homossexualidade?". Qualquer um pode fazer a lista e citá-los. A questão é "como interpretar esses textos?", "como determinar aquilo que estes textos querem realmente dizer.

Como afirmei acima, a homossexualidade (na verdade, a sexualidade humana em geral) só recentemente tem sido objeto de estudo científico; o que nos autoriza a pensar que ela fica à margem da Bíblia, da tradição e da reflexão teológica. Sabemos hoje muito mais do que S. Paulo ou do que os Padres da Igreja sobre a fisiologia e a psicologia da atividade sexual.

Afirmar que tais textos condenam a homossexualidade é incorreto. Quando dizemos "homossexual" exprimimos uma compreensão sociológica e psicológica da orientação sexual que não existia,nem aos tempos da composição do Levítico, nem nos primórdios do Cristianismo.


Marcando ponto em Homossexualidade

domingo, 29 de janeiro de 2012

Monólogo da Mulher Adúltera


 Desde pequena eu sabia o que era certo.
 Meu pai, um dos principais da sinagoga, fazia questão de nos ensinar toda a Torá desde pequeninos. Na verdade, ele ensinava somente aos meus irmãos, mas eu me aventurava em ouvir os ensinos, escondida atrás da porta. Achava fascinante, e ao mesmo tempo pesado… eram tantas leis, tantos mandamentos…

 Será que algum homem seria capaz de cumpri-los todos? Sinceramente, achava impossível… e me calava.

 A esperança brilhava nos meus olhos quando o ouvia falando do tal messias, o que viria para salvar o seu povo. Como deveria ser? Será que o tal messias me olharia um dia nos olhos? Ou será que estava condenada a viver minha vida toda atrás das portas… escondida dos homens?

 O tempo passou. Cresci, e ainda em minha adolescência fui obrigada a casar com um homem a quem não amava. Era o costume, e assim foi… Eu era cuidada por ele como um objeto precioso, havia respeito, mas não amor, amor que eu tanto procurava. Os amigos de meu pai me consideravam uma jovem muito bonita e faziam questão de externarem suas opiniões. Eu gostava. Não ouvia tais elogios de meu marido.

 Fui me acostumando àqueles elogios. Na verdade alguns eram até ousados demais, e me deixavam sem graça, pois percebia suas intenções, podres intenções. Eram homens casados também, oficiais na sinagoga, alguns anciãos, outros mais jovens, mas queriam que eu os servisse, nem que fosse por uma noite apenas.

 Aquela situação me causava muito desconforto. Sentia raiva, e até mesmo nojo daqueles homens… exceto um, que me chamava a atenção. Era casado também, mas parecia me querer bem… fui seduzida!

 Nunca imaginara trair meu marido, mas naquela madrugada, antes do nascer do sol me entreguei àquele homem. Nem de longe imaginava o que ainda estava por acontecer.

 Os outros homens, amigos do meu pai, haviam percebido o meu envolvimento, e seguiram-nos até nos pegarem em pleno ato de adultério. Meu dia estava apenas começando. Quanta vergonha!!!

 Pegaram-me, nua, e carregaram-me para o Templo, onde um homem de Nazaré ensinava naquela manhã que nascia. Havia uma multidão para ouvi-lo. A vergonha era maior ainda. Muitos me conheciam… muitos conheciam meu pai…  muitos conheciam meu marido.

 Tive medo!

 Fui jogada no meio da multidão, que se acotovelava para ouvir o tal profeta Galileu. Achei estranho perceber que estava só. Apesar de eu e meu então amante sermos pegos juntos no ato de adultério, apenas eu fui levada como adúltera… ele não!

 Olhei então e vi aqueles homens que antes me assediavam, perguntando àquele Rabi: “mestre, esta mulher foi surpreendida em adultério. Na lei, Moisés nos ordena apedrejar tais mulheres. Tu, porém, o que dizes”?

 Eu olhava aquela cena e meu nojo aumentava. Os homens que queriam apedrejar-me eram os mesmos que viviam se insinuando para mim. Quanta hipocrisia. Quanto ódio tive da religião!

 O tal Rabi galileu permanecia calado.

 De repente, inclinou-se e começou a escrever na terra com seu próprio dedo. Eu não acreditava no que meus olhos começavam a ler.

 Aquele homem começou escrevendo o meu nome, e abaixo do meu nome começou a enumerar os meus pecados. TODOS os meus pecados!

 Eu queria a morte naquele momento. Que as pedras viessem logo. Não suportaria tanta vergonha.
 Num ímpeto, o Rabi levantou-se e disse àqueles homens, meus censores, prontos a colocar sob um monturo de pedras mais uma adúltera: “quem dentre vós que não tem pecado, seja o primeiro a lhe atirar uma pedra”! … E voltou a escrever meus erros na terra.

 Algo muito estranho começou a acontecer: a começar dos mais velhos, um por um, foram largando as pedras em seus pés, virando as costas, e indo embora.

 Ficamos só eu e o tal profeta.

 Eu tremia!

 Ele calmamente levantou-se e veio em minha direção. Percebi algo no seu olhar. Era diferente. Ele não me desejava. Vi amor no seu olhar. Nunca antes alguém havia me olhado assim. Enquanto caminhava em minha direção, não tive como não perceber que suas pegadas firmes e constantes, pisavam e apagavam a minha enorme lista de pecados. Lembrei-me de um texto que sempre ouvia meu pai ensinar aos meus irmãos: “pelas suas pisaduras fomos sarados”.

 Seria esse Rabi, diante de mim, o messias esperado? Bem que eu já havia ouvido rumores a respeito disso.

 Ele aproximou-se de mim, e tirando a sua capa, cobriu a minha nudez. Perguntou-me com uma voz inconfundivelmente firme e amorosa: “Mulher, onde estão eles? Ninguém te condenou”?

 Minha voz trêmula conseguiu balbuciar: “Ninguém, Senhor”!

 Ele então, segurando em minhas mãos e erguendo-me do chão, olhou nos meus olhos e disse: “Nem eu te condeno. Vai, e de agora em diante não peques mais”.

 Meus olhos marejados ainda puderam ver aquele homem se afastando e voltando a ensinar o povo. Eu estava verdadeiramente diante do messias!

 Olhei para o chão e lá estavam todos os meus pecados apagados pela sola dos pés daquele rabi. Só uma coisa não havia sido pisado: o meu nome! Ele estava intacto, escrito pelas mãos do próprio salvador. Lembrei-me então de um outro texto sempre recitado pelo meu pai, acerca do messias: “Ele não esmagará a cana quebrada, nem apagará o pavio que ainda fumega…”

 Fui para casa… mas sabia que daquele dia em diante nunca mais seria a mesma. Nunca esquecerei de seu olhar, sua voz, e seu amor: “Nem eu te condeno!”

 Prossigo em meu caminho, às vezes tropeçando, mas sempre com sua fala graciosa ecoando em mim: “Vai, e de agora em diante… não peques mais”!

Amarrado em Crônicas

By José  B. Jr.

E, se seguíssemos Levítico à risca?

 




Por Paulo Stekel

Por diversas vezes já recebi por email nos últimos anos uma determinada “carta” supostamente escrita por um anônimo como resposta a uma homofóbica apresentadora de rádio dos EUA. Fiquei curioso em saber a história deste texto que fala por si mesmo e dispensa maiores comentários.

Segundo contam os websites dos EUA, em seu programa de rádio, a Dra. Laura Schlessingerdisse que, como um judia ortodoxa praticante, considerava a homossexualidade uma abominação, e que de acordo com o Livro de Levíticos 18:22, ela não pode ser perdoada em qualquer circunstância. A resposta abaixo seria uma carta aberta para a Dra. Laura, escrita por um cidadão dos EUA, que foi publicada na Internet inicialmente em 2000. É sarcástica e direta:

“Cara Dra. Laura

Obrigado por ter feito tanto para educar as pessoas no que diz respeito à Lei de Deus. Eu tenho aprendido muito com seu show, e tento compartilhar o conhecimento com tantas pessoas quantas posso.

Quando alguém tenta defender o homossexualismo [sic], por exemplo, eu simplesmente o lembro que Levítico 18:22 claramente afirma que isso é uma abominação. Fim do debate.

Mas eu preciso de sua ajuda, entretanto, no que diz respeito a algumas leis específicas e como segui-las:

a) Quando eu queimo um touro no altar como sacrifício, eu sei que isso cria um odor agradável para o Senhor (Levítico 1:9). O problema são os meus vizinhos. Eles reclamam que o odor não é agradável para eles. Devo matá-los por heresia?

b) Eu gostaria de vender minha filha como escrava, como é permitido em Êxodo 21:7. Na época atual, qual você acha que seria um preço justo por ela?

c) Eu sei que não é permitido ter contato com uma mulher enquanto ela está em seu período de impureza menstrual (Levítico 15:19-24). O problema é: como eu digo isso a ela ? Eu tenho tentado, mas a maioria das mulheres toma isso como ofensa.

d) Levíticos 25:44 afirma que eu posso possuir escravos, tanto homens quanto mulheres, se eles forem comprados de nações vizinhas. Um amigo meu diz que isso se aplica a mexicanos, mas não a canadenses. Você pode esclarecer isso? Por que eu não posso possuir canadenses?

e) Eu tenho um vizinho que insiste em trabalhar aos sábados. Êxodo 35:2 claramente afirma que ele deve ser morto. Eu sou moralmente obrigado a matá-lo eu mesmo?

f) Um amigo meu acha que mesmo que comer moluscos seja uma abominação (Levítico 11:10), é uma abominação menor que a homossexualidade. Eu não concordo. Você pode esclarecer esse ponto?

g) Levíticos 21:20 afirma que eu não posso me aproximar do altar de Deus se eu tiver algum defeito na visão. Eu admito que uso óculos para ler. A minha visão tem mesmo que ser 100%, ou pode-se dar um jeitinho?

h) A maioria dos meus amigos homens apara a barba, inclusive o cabelo das têmporas, mesmo que isso seja expressamente proibido em Levíticos 19:27. Como eles devem morrer?

i) Eu sei que tocar a pele de um porco morto me faz impuro (Levítico 11:6-8), mas eu posso jogar futebol americano se usar luvas? (as bolas de futebol americano são feitas com pele de porco)

j) Meu tio tem uma fazenda. Ele viola Levítico 19:19 plantando dois tipos diferentes de vegetais no mesmo campo. Sua esposa também viola Levítico 19:19, porque usa roupas feitas de dois tipos diferentes de tecido (algodão e poliéster). Ele também tende a xingar e blasfemar muito. É realmente necessário que eu chame toda a cidade para apedrejá-los (Levítico 24:10-16)? Nós não poderíamos simplesmente queimá-los em uma cerimônia privada, como deve ser feito com as pessoas que mantêm relações sexuais com seus sogros (Levítico 20:14)?

Eu sei que você estudou essas coisas a fundo, então estou confiante que possa ajudar.

Obrigado novamente por nos lembrar que a palavra de Deus é eterna e imutável.

Seu discípulo e fã ardoroso.

"Anônimo”




A verdadeira origem da Carta:


A primeira vez em que esta carta apareceu no mundo online foi em maio de 2000, logo após o estado norte-americano de Vermont ter permitido a casais homossexuais contraírem “uniões civis”, um reconhecimento oficial que estendia a parceiros do mesmo sexo benefícios legais do casamento, como direito de ser tratados pelos hospitais como parentes próximos e de alguém tomar decisões médicas em nome de seu parceiro. A decisão agradou alguns e irritou outros, resultando em muitas opiniões acaloradas sobre uniões do mesmo sexo em específico, e a homossexualidade em geral, em inúmeros fóruns públicos.

Graças a esta decisão muitas vezes foi ao ar a opinião de que os homossexuais são um “erro da natureza”. A Dra. Laura Schlessinger, apresentadora de rádio, se tornou um dos alvos dos simpatizantes pró-gay.

A Dra. Schlessinger tem atraído tanto adeptos fervorosos quanto detratores durante seus anos de vida pública. Através de seu programa de rádio, distribui conselhos para os ouvintes pelo telefone, geralmente a partir de um ponto de vista conservador. Ela era uma judia ortodoxa na época em que a carta citada foi escrita (mas anunciou sua renúncia a esta fé em seu show em julho de 2003) e, muitas vezes baseia-se nos ensinamentos bíblicos ou religiosos para orientação dos ouvintes. Ela é franca e sincera em suas respostas, vendo a maioria das situações como inerentemente pretas ou brancas, certas ou erradas.

Laura Schlessinger é uma médica credenciada em uma disciplina que tradicionalmente não tem um olhar para a geração de conhecimento em moral, questões sociais ou espirituais (como divindade, psicologia ou sociologia). Ela obteve seu doutorado em fisiologia pela Universidade de Columbia e trabalhou como conselheira licenciada para assuntos de casamento, família e infância por mais de uma década.

Alguns veem o uso de “Doutora” por Schlessinger como algo enganoso, considerando sua posição atual sobre a santidade do matrimônio e da condenação do adultério como uma hipocrisia à luz de suas décadas anteriores de relação extra-conjugal. Outros acreditam que o título de “Doutora” não deve ficar restrito apenas àqueles no campo da medicina e sustentam que as pessoas podem mudar ao longo do tempo, até mesmo ao ponto de repúdio total de comportamentos e crenças anteriores.

A Dra. Laura é tão controversa quanto popular, e atrai tanto flores quanto pedradas, sendo conhecida por abrigar opiniões fortes para se tornar parte das notícias diárias. Assim, aqueles que procuram gritar em Vermont contra o reconhecimento de uniões do mesmo sexo teriam facilmente o pensamento de Dra. Laura.

A “carta” para Dra. Laura pode ou não ter sido realmente enviada para ela, mas em qualquer caso, é melhor ser considerada como um ensaio oferecendo um contraponto para o argumento do tipo “a homossexualidade é errada porque a Bíblia assim o diz”. Embora ela pretenda ser dirigida a apenas uma pessoa (Dra. Laura), é claramente destinada a uma audiência geral. A autoria da carta ainda é um mistério, embora o nome “Kent Ashcraft” (ou “J. Kent Ashcraft”) continue sendo um dos mais cotados.

Deixando de lado a questão da autoria, este texto em maio de 2000 chegou a muitas pessoas, e em junho e julho daquele ano tinha aparecido em vários jornais, incluindo o Knoxville News-Sentinel (07 de junho), o Seattle Weekly (08 de junho), o OC Weekly (09 de junho), o The Post-Standard (11 de Junho), o Capital Times (13 de julho), e o Modesto Bee (22 de Julho). Na maioria das vezes a carta foi reconhecida como um item interessante recolhido a partir da Internet, mas em alguns casos os leitores que a enviaram para os jornais a apresentaram como suas próprias palavras, o que torna a pergunta sobre quem realmente escreveu ainda mais difícil de responder.

A chave para este ensaio é sua premissa, não seus detalhes pedantes ou como é defendido. Simplificando, a carta aponta as falhas lógicas do argumento “a homossexualidade é errada porque a Bíblia assim o diz”: se a homossexualidade é errada porque vai contra a lei de Deus tal como descrito na Bíblia, por que não são consideradas da mesma forma uma série de atividades agora vistas como inócuas, mas antes vistas como inaceitáveis e ofensas contra a lei de Deus? Como pode uma parte de Levítico ser considerada como gravada na pedra quando as outras partes têm sido descartadas como arcaicas?

O ensaio conclui com a resposta sarcástica: “Obrigado novamente por nos lembrar que a palavra de Deus é eterna e imutável.” Embora esta seja apresentada como uma reprimenda apenas para uma pessoa, na verdade é um lembrete geral de que muitos sistemas de crenças escolhem seu caminho através de ensinamentos bíblicos para determinar o que é certo e o que é errado, com essas avaliações mudando ao longo do tempo, mesmo dentro de seitas que orgulham-se de uma estrita observância da Bíblia.

No início de outubro de 2000, a Dra. Schlessinger publicou um anúncio de página inteira na Variety oferecendo um pedido de desculpas para o que ela chamou de palavras “mal escolhidas” sobre a homossexualidade. Ela já tinha se referido aos gays como “erros biológicos” e “desviantes”, como exemplificado pela sua intervenção de 08 de dezembro de 1998:

“Sinto muito - ouça mais uma vez, perfeita e claramente: Se você é gay ou lésbica, é um erro biológico que inibe você de se relacionar normalmente com o sexo oposto. O fato de que você é inteligente, criativo e valioso é tudo verdade. O erro está na sua incapacidade de se relacionar sexualmente, intimamente, de uma forma amorosa com um membro do sexo oposto - é um erro biológico.”

No outono de 2004, a Carta reapareceu como tendo sido enviada ao presidente George W. Bush em sua campanha para um segundo mandato, e a peça circulou mais uma vez, desta vez dirigindo-se ao “Caro Presidente Bush”, em vez de “Cara Dra. Laura”. Após o “Obrigado novamente por nos lembrar que a palavra de Deus é eterna e imutável” que fecha a carta para a Dra. Laura, a versão atualizada dirigida ao presidente continuou: “Deve ser realmente ótimo estar em condições tão íntimas com Deus e seu filho, até melhor do que você e seu próprio pai, hein?”

Independente do verdadeiro autor, a carta é uma resposta sarcástica muito adequada para contrapor os argumentos fundamentalistas que sempre demonizam os homossexuais. Continuemos, então, espalhando este texto mundo afora!

No armário em Homossexualidade


sábado, 28 de janeiro de 2012

Homossexualidade: duas leituras da Bíblia - Parte I


A LEITURA FUNDAMENTALISTA E A LEITURA HISTÓRICO-CRÍTICA DA BÍBLIA
(By Afonso C. Figueiredo)


Em meu artigo fiz menção a dois paradigmas de leitura da Bíblia: a leitura literalista, identificada como a abordagem dos fundamentalistas, e a leitura ou método histórico-crítico. As pessoas discutem apaixonadamente a respeito do que a Bíblia realmente ensina. Tudo depende de como se lê a Bíblia. Há diferentes maneiras de se ler a Bíblia; é o que designo diversos paradigmas de leitura. Gostaria de aprofundar um pouco este tema.

A leitura/interpretação literal da Bíblia afirma entender o texto unicamente conforme o que ele diz. Esta é a abordagem fundamentalista. Seus adeptos afirmam não interpretar o texto, mas simplesmente lê-lo como ele é. Em outras palavras, os adeptos da leitura fundamentalista da Bíblia, partindo do princípio de que a Bíblia, sendo Palavra de Deus inspirada e isenta de erro, afirmam que ela deve ser lida e interpretada literalmente em todos os seus detalhes.

Mas por “interpretação literal” entendem uma interpretação primária, literalista, isto é, uma leitura que exclui todo esforço de compreensão da Bíblia que leve em conta seu desenvolvimento. Ela se opõe assim à utilização do método histórico-crítico, como a qualquer outro método científico, para a interpretação da Escritura. 


Ela também ignora os condicionamentos históricos, ou seja, as circunstâncias históricas e sócio-culturais que condicionam toda a compreensão que o homem tem de si e do mundo que o rodeia, em determinada época e em determinada sociedade: tanto aqueles em que os autores bíblicos viviam como aquele em que nós, leitores modernos da Bíblia estamos inseridos.

Entretanto, é mais do que claro que até mesmo o fundamentalismo segue uma regra de interpretação. Esta regra, simples e fácil, diz que a significação do texto é dada no presente por quem o lê.
A leitura histórico-crítica parte de outro princípio. Diz que o significado do texto é dado por aquele que o escreveu no passado. Para afirmar qual é o ensinamento dado pelo texto bíblico é necessário, em primeiro lugar, compreendê-lo em sua situação original, em outras palavras, a partir da situação histórica, dos condicionamentos sócio-culturais em que seu autor estava imerso e do qual participava.

Com efeito, Deus na Sagrada Escritura falou por meio de homens e à maneira humana. Disso se conclui que o intérprete da Sagrada Escritura, para saber o que Ele quis comunicar-nos, deve investigar com atenção o que os escritores sagrados quiseram exprimir, para compreender o que aprouve a Deus manifestar por meio das palavras deles.
A verdade é proposta e expressa de modos diferentes, segundo se trata de textos históricos, ou de textos proféticos ou poéticos ou ainda de outros modos de expressão, como por exemplo, o tão complexo estilo apocalíptico.

Importa, pois, que o intérprete busque o sentido que o hagiógrafo pretendeu exprimir, e, de fato exprimiu em determinadas circunstâncias, segundo as condições do seu tempo e da sua cultura, usando os gêneros literários então em voga. Para entender retamente o que o autor sagrado quis afirmar por escrito, deve partir dos modos peculiares de sentir, dizer ou narrar em uso nos tempos do hagiógrafo e que na mesma época costumavam-se empregar nos intercâmbios humanos.

Para se comunicar, a Palavra de Deus se enraizou na vida de grupos humanos e ela traçou para si mesma um caminho através dos condicionamentos sócio-culturais em que os autores sagrados estavam imersos, e dos quais participavam. Resulta disso que as Ciências Humanas – em particular a Sociologia, a Antropologia e a Psicologia – podem contribuir para uma compreensão melhor de certos aspectos dos textos. Um bom número de exegetas tirou recentemente proveito desse gênero de pesquisas.

Quando Wolfgang Goethe, em 1819, escreveu suas “Noten und Abhandlungen zu besseren Verständnis des Westöslichen Divans” e as fez preceder dos seguintes versos:
“...
Wer den Dichter will verstehen [Quem o poeta quer compreender]
Muss in Dichters Lande gehen” [Deve à sua terra ir]

deu, de modo inconsciente, uma diretriz indispensável também para o leitor/intérprete da Bíblia. -

“In Dichters Lande gehen” não significa apenas transportar-se em espírito à história e à cultura dos povos primitivos; este verso quer, antes de tudo, dizer que um texto antigo de milênios só pode ser “retamente” interpretado se o intérprete conhecer o “Sitz im leben” (contexto vital), a visão que os povos antigos tinham da vida, do mundo, enfim sua maneira de pensar e de conceber a religião.

Não é apenas uma distância temporal de milênios o que nos separa do mundo do Oriente Antigo e das personagens e fatos bíblicos. Muito maior é a distância configurada pelas diferenças da cultura que nos separa do modo de pensar e de exprimir-se dos hebreus, dos autores sagrados da Bíblia.

(Aguardemos para breve a parte II)

Anja_Arcanja

quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

Campanha voluntária em prol de Felipe Rian - PARTICIPE



Menino Felipe Rian Bebê...continue ajudando. veja as fotos


Felipe sofre de hemangioma tumoral não sei nada sobre esta doença, mas sei que se não fizermos algo para ajudar não se sabe o que pode acontecer, pois o quadro tem se agravado (vide fotos com a evolução da doença). Por isto estamos nos mobilizando, vários blogs já aderiram a campanha em prol de Felipe. Vamos unir nossas forças em prol de nosso próximo através deste veículo poderoso que é a internet. CONTRIBUA! Juntos somos fortes! Contamos com suas orações (pois a cirurgia é complicada e de alto risco) e como suas doações.

Já arrecadamos 4mil reais, mas ainda faltam 6mil reais, pois a cirurgia custa 10 mil reais e não é coberta pelo SUS (uma vergonha para nosso país), por isto, conclamo a você meu leitor e amigo que contribua, ajude, sensibilize-se. Você blogueiro, ajude a divulgar aderindo a campanha pró Felipe.  Insira o banner da campanha em seu blog/site. Convide seus amigos, divulguem todas as redes sociais que tem acesso, vamos mobilar a internet em prol da cirurgia do Felipe! ELE CONTA COM VOCE!

Sua doação deve ser feita em uma destas duas agencias:
Caixa Economica Federal.
Agência: 0758 
Operação: 013 
Número da conta: 00019246-9
*Conta em nome de Rafaela Morgana Diniz Freitas (Mãe de Felipe)

Banco do Brasil : AGENCIA: 0128-7 CONTA: 10.770-0 - JOÃO BATISTA DANTAS (TIO DO GAROTO)

Blog administrador-geral da campanha: Livre Voz Do Povo (link)


 aparentemente normal...




O quadro vai se complicando...
                                 Não dá para não se comover...aparentemente normal
                       O sorriso de quem TEM FORÇA para viver
Paz ao seu coração,
Grata.
Anja




quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

Deus está morto! (uma morte lenta, cruel e dolorosa)


Deus está morto! (uma morte lenta, cruel e dolorosa)

Não se surpreendam com minha afirmação.  Nietzsche disse isto com muita sabedoria, e foi duramente criticado e muito mal interpretado. Antes de expor o porque de ter eu feito tal constatação e afirmação vamos tentar entender um pouco do que Nietzsche disse:

“Deus está morto! Deus permanece morto! E quem o matou fomos nós!”

Entendê-la literalmente, como se Deus pudesse estar fisicamente morto, ou como se fosse uma referência à morte de Jesus Cristo na cruz, ou ainda como uma simples declaração de ateísmo são ideias oriundas de uma análise descontextualizada da frase, que se acha profundamente enraizada na obra de Nietzsche. 
A frase não é nem uma exaltação nem uma lamentação, mas uma constatação a partir da qual Nietzsche traçará o seu projeto filosófico de superar Deus e as dicotomias assentes em preconceitos metafísicos que julgam o nosso mundo — na opinião do filósofo, o único existente — a partir de um outro mundo superior e além deste. A morte de Deus metaforiza o fato de os homens não mais serem capazes de crer numa ordenação cósmica transcendente, o que os levaria a uma rejeição dos valores absolutos e, por fim, à descrença em quaisquer valores. Isso conduziria ao niilismo, que Nietzsche considerava um sintoma de decadência associada ao fato de ainda mantermos uma "sombra", um trono vazio, um lugar reservado ao princípio transcendente agora destruído, que não podemos voltar a ocupar. Para isso ele procurou, com o seu projecto da "transmutação dos valores", reformular os fundamentos dos valores humanos em bases, segundo ele, mais profundas do que as crenças do cristianismo.

Segundo ele, quando o cheiro do cadáver se tornasse inegável, o relativismo, a negação de qualquer valoração, tomaria conta da cultura. Seria tarefa dos verdadeiros filósofos estabelecer novos valores em bases naturais e iminentes, evitando que isso aconteça. Assim, a morte de Deus abriria caminho para novas possibilidades humanas. Os homens, não mais procurando vislumbrar uma realidade sobrenatural, poderiam começar a reconhecer o valor deste mundo. Assumir a morte de Deus seria livrar-se dos pesados ídolos do passado e assumir sua liberdade, tornando-nos eles mesmos deuses. Esse mar aberto de possibilidades seria uma tal responsabilidade que, acreditava Nietzsche, muitos não estariam dispostos a enfrentá-lo. A maioria continuaria a necessitar de regras e de autoridades dizendo o que fazer, como julgar e como ler-o-mundo. (Ref. Prof P.Rocha.)




Agora vou tentar explicar meu ponto de vista; minha constatação.

Deus está morto! Pois a igreja (com toda sua pluralidade de denominações) e a religião que, como seus dogmas, o prenderam dentro das páginas de um livro, fazendo-o adoecer.

Deus está morto! Desde a tão louvada e aclamada reforma protestante (que nada reformou), a tinta e o papel lhe causaram uma intoxicação alérgica e como estava preso há alguns séculos, sua saúde debilitada quase não suportou passar pela reforma protestante.

Deus está morto! Pois não suportou a “força” das orações dos poderosos e poderosas senhores e senhoras da fé, pastores, bispos e os temíveis (até por Ele) apóstolos, que com suas orações e suplicas e determinações, torciam o já debilitado braço do ex-todo poderoso. Lesões e fraturas tornaram-se comuns, e como tinha que curar, e passar nos mais diversos concursos públicos, vestibulares, presentear com bens matérias a seus filhos, fieis dizimistas, não tinha sequer tempo de se auto curar.

Deus está morto! Pois todos conclamam para si o direito de posse sobre o “deus” verdadeiro, mas sequer sabem de fato ouvir sua frágil e debilitada voz que diz: liberte-me filho, das páginas deste livro, pois minha palavra é viva e vocês estão matando-me e de fato não me conhecem e não conhecem minha Palavra.

Deus está morto! Pela hermenêutica falha e exegese torta, oriundas das mais diversas escolas de teologias[sic] em que não há lugar para a razão e ciência, antes, prevalece-se a cegueira da fé e as interpretações hora preconceituosas, hora cheias de ódio e rancor. Sequer levam em conta que, toda ideia de uma hermenêutica certa é falha porque despreza a subjetividade de quem interpreta.

Deus está morto! E permanecerá morto, pois enquanto não pararmos de ouvir nosso próprio ego, abrirmos mão de nossos preconceitos e até conceitos, não conseguiremos jamais ouvir sua voz. Não conseguiremos jamais interpretar sua palavra, que é viva e eficaz.  

Procure ver Deus além das paginas dos livros de teologia, fora dos templos e fora da religião, tente encontrar a Deus fora das páginas de sua bíblia. Procure Deus fora da caixa, pois só assim encontrarás o Deus vivo! Ouse…

Pense nisto…

Anderson e Anja_Arcanja
Sola gratia




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Deus está morto! (uma morte lenta, cruel e dolorosa) de Rozana Anja_Arcanja e Anderson L. Souza é licenciado sob uma Licença Creative Commons Atribuição-Uso não-comercial-Vedada a criação de obras derivadas 3.0 Brasil.
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terça-feira, 24 de janeiro de 2012

Santíssima Trindade Desmascarada



Para os cristãos, a Santíssima Trindade não pode ser derrubada pela Ciência (com suas provas e pesquisas), pela História dos Concílios (com seus registros e evidências) e muito menos com o exame racional do tema. Então, apresento o único veículo aceitável pelos cristãos e que derruba definitivamente essa farsa, e é incontestável para eles: A BÍBLIA !

Na história a Trindade é realmente formada por três pessoas: Tertuliano (inventou), Atanásio(defendeu) e Constantino (decretou).

Vamos deixar os fatos históricos de lado, pois os mesmos já são de conhecimento mais do que suficiente para todo. Existem estudos claros e transparentes com base exclusivamente nas escrituras e os mesmos deixam nitidamente esclarecidos a inexistência de uma Trindade na Divindade.

João 17:3 – E a vida eterna é esta: que te conheçam a ti, o único Deus verdadeiro, e a Jesus Cristo, a quem enviaste.

Muitos debates têm sido travados e todos afirmam ter base bíblica para defender suas idéias. Uns entendem que a divindade é composta por três Deuses (o Deus-Pai, o Deus-Filho e o Deus-Espírito Santo) que são autônomos, mas que agem em cooperação. Outros afirmam que há apenas um Deus que se manifesta de três formas diferentes, mas é o mesmo ser, uma única pessoa. Há ainda quem defenda que há um só Deus composto por três pessoas divinas, co-iguais, co-eternas, co-substanciais, a Santíssima Trindade.

Esta última forma de crença, a mais comum, é adotada pela ICAR e pela maioria das igrejas protestantes. Para eles, Deus não é um ser pessoal, ou seja, Deus não é uma pessoa, mas três pessoas. Não são três deuses, nem uma só pessoa, mas um Deus Composto, um Deus-Tríplice, ou Deus-Triúno. Complicado? Sim… Na interpretação dos Trinitarianos este ensino é um mistério! Por que um mistério? Como tais ensinos carecem de uma base mais sólida e contêm contradições internas de difícil conciliação, seus defensores também ensinam que há um grande mistério por trás destes fatos e que ao ser humano não é dado compreender os mistérios de Deus.

“A Santíssima Trindade é um Mistério para ser aceito, não para ser compreendido”, foi a voz de muitos sacerdotes ao longo da Idade Média e que continua ressoando no século XXI.
Diante de tais interpretações questionáveis, muitos acabam aceitando a “doutrina do mistério” e acreditando que sua salvação não depende do pleno conhecimento de Deus, já que o mesmo é um mistério não revelado. Cristo afirmou que a vida eterna depende do conhecimento do único Deus verdadeiro e de Jesus Cristo, o enviado de Deus (conforme João 17:3). Entretanto, em nenhum lugar na Bíblia é revelado o nome do Espírito Santo, pois ele é o próprio pneuma de Deus, ou seja, um princípio espiritual que (segundo os estóicos) seria a causa da vida.

Existem várias concepções da Trindade. Parte dos trinitarianos crêem em três pessoas divinas co-iguais e co-eternas, outros admitem diferentes níveis hierárquicos e de natureza entre Deus-Pai, Deus-Filho e Deus-Espírito Santo. Independente da crença, todos dizem ter razões bíblicas para acreditar que existem realmente três pessoas divinas e que esses três seres representariam um único Deus. Desse modo, tentam livrar-se da acusação de politeísmo.

Pois bem, tendo somente a Bíblia como critério de avaliação, consideraremos essas afirmações:
Para serem co-iguais, as três diferentes pessoas da Trindade deveriam possuir idêntica autoridade e plena igualdade de poder. As Escrituras Sagradas são muito claras quanto ao fato de que Deus, o Pai, é evidentemente superior a Seu Filho.

Jesus refere-se a Deus como o “Altíssimo” em Lucas 6:35.
Amai, porém, os vossos inimigos, fazei o bem e emprestai, sem esperar nenhuma paga; será grande o vosso galardão, e sereis filhos do Altíssimo. Pois ele é benigno até para com os ingratos e maus.

Isto é, aquele que ocupa a posição mais elevada, que está isolado em nível máximo, numa condição inatingível por qualquer outro ser.

Jesus afirma explicitamente em João 14:28:
Ouvistes que eu vos disse: vou e volto para junto de vós. Se me amásseis, alegrar-vos-íeis de que eu vá para o Pai, pois o Pai é maior do que eu.

Jesus afirma categoricamente em João 13:16:
Em verdade, em verdade vos digo que o servo não é maior do que seu senhor, nem o enviado, maior do que aquele que o enviou.

Deus, que enviou Jesus (Seu Filho) é, portanto, obviamente, maior do que Ele, que, repetidas vezes, como em João 5:37:
O Pai, que me enviou, esse mesmo é que tem dado testemunho de mim. Jamais tendes ouvido a sua voz, nem visto a sua forma.

Também o espírito Consolador é inferior ao Pai, uma vez que também seria enviado por Ele, segundo informa Jesus em João 14:26:
Mas o Consolador, o espírito Santo, a quem o Pai enviará em meu nome, esse vos ensinará todas as coisas e vos fará lembrar de tudo o que vos tenho dito.

Jesus afirma e Paulo confirma na epístola a Coríntios, que Deus, o Pai, é maior do que tudo e todos como nas seguintes passagens:
João 13:29 – Meu Pai, que mas deu, é maior do que todos; e ninguém pode arrebatá-las das mãos de meu Pai.
I Coríntios 15:27-28 – Porque todas as coisas sujeitou debaixo dos pés. E, quando diz que todas as coisas lhe estão sujeitas, certamente, exclui aquele que tudo lhe subordinou. Quando, porém, todas as coisas lhe estiverem sujeitas, então, o próprio Filho também se sujeitará àquele que todas as coisas lhe sujeitou, para que Deus seja tudo em todos.

Se o espírito Santo fosse realmente uma terceira e distinta pessoa divina, nada poderia justificar sua omissão e ausência em textos bíblicos como estes:

I Coríntios 8:6 – Todavia, para nós há um só Deus, o Pai, de quem são todas as coisas e para quem existimos; e um só Senhor, Jesus Cristo, pelo qual são todas as coisas, e nós também, por ele.

Quando Paulo define o único Deus, ele omite qualquer referência ao Espírito Santo.
Quando Jesus, no Evangelho de Marcos, menciona aqueles que poderiam conhecer a data de sua volta, omite qualquer referência ao espírito Santo. Observe:

Marcos 13:32  Mas a respeito daquele dia ou da hora ninguém sabe; nem os anjos no céu, nem o Filho, senão o Pai.
João 16:32 – Eis que vem a hora e já é chegada, em que sereis dispersos, cada um para sua casa, e me deixareis só; contudo, não estou só, porque o Pai está comigo.

Se o Espírito Santo fosse uma 3ª pessoa divina, não poderia “Ele” fazer companhia para Jesus em lugar do Pai? Contudo, Jesus nem sequer o mencionou nessa ocasião. Jesus Cristo nunca é chamado “Deus Filho” no relato bíblico. Tudo que fez e disse foi realizado por ordem e permissão do Pai, a quem ele (Jesus) mesmo se referia como “Meu Deus”, conforme os trechos abaixo:

Apocalipse 3:2 – Sê vigilante e consolida o resto que estava para morrer, porque não tenho achado íntegras as tuas obras na presença do meu Deus.
Apocalipse 3:12 – Ao vencedor, fá-lo-ei coluna no santuário do meu Deus, e daí jamais sairá; gravarei também sobre ele o nome do meu Deus, o nome da cidade do meu Deus, a nova Jerusalém que desce do céu, vinda da parte do meu Deus, e o meu novo nome.
João 20:17 – Recomendou-lhe Jesus: Não me detenhas; porque ainda não subi para meu Pai, mas vai ter com os meus irmãos e dize-lhes: Subo para meu Pai e vosso Pai, para meu Deus e vosso Deus.
No evangelho segundo João, Jesus ainda afirma:
João 5:19 – o Filho nada pode fazer de si mesmo

Essa idéia se repete no versículo 30. “Eu nada posso fazer de mim mesmo.”
O mesmo pensamento aparece em João 5:17, 19, 30, 36; 8:28, 29; 9:4; 10:25, 32, 37; 14:10,11, 31; 17:4.

João registra 14 vezes em seu Evangelho, que as obras de Jesus não foram feitas por Ele próprio, mas realizadas pelo poder de Seu Pai. Jesus diz que até as palavras que proferia não eram suas próprias em:
João 12:49 – Porque eu não tenho falado por mim mesmo, mas o Pai, que me enviou, esse me tem prescrito o que dizer e o que anunciar.

Esse pensamento é novamente expresso em João 7:16-18; 8:28, 29, 38; 12:49, 50; 14:24,31; 16:15.
João 9 vezes retrata Jesus revelando que as palavras que proferia eram de Seu Pai!

João 12:44: “Quem crê em mim crê, não em mim, mas naquele que me enviou.”

Bom, se o Espírito Santo fosse uma 3ª e distinta pessoa divina, o Pai não seria o pai! Ou seria? 

Mateus 1:18 – Ora, o nascimento de Jesus Cristo foi assim: estando Maria, sua mãe, desposada com José, sem que tivessem antes coabitado, achou-se grávida pelo espírito Santo.
Mateus 1:20 – Enquanto ponderava nestas coisas, eis que lhe apareceu, em sonho, um anjo do Senhor, dizendo: José, filho de Davi, não temas receber Maria, tua mulher, porque o que nela foi gerado é do espírito Santo.
Lucas 1:35 – Respondeu-lhe o anjo: Descerá sobre ti o espírito Santo, e o poder do Altíssimo te envolverá com a sua sombra; por isso, também o ente santo que há de nascer será chamado Filho de Deus.

A ausência de terminologia bíblica apropriada impede a aceitação da doutrina da Trindade. Alguns exemplos de expressões-chave ausentes da Bíblia, mas encontradas apenas nos credos: “Deus Filho”, “Deus espírito”, “Deus triúno”, “Filho eterno”, “Co-igual”, “Co-eterno”, “triunidade divina”, “Trindade”, “substância” (divina) e “essência” (divina). Nisso, pode-se notar que as pessoas que, inspiradas por Deus, escreveram a Bíblia em sua linguagem original, não acreditavam na Trindade. Os judeus eram uma nação estritamente monoteísta, portanto, eles jamais poderiam sequer imaginar “um Deus em três pessoas”, Jesus disse que eles estavam corretos em seu culto a Deus.

João 4:22 – Vós adorais o que não conheceis; nós adoramos o que conhecemos, porque a salvação vem dos judeus.

Há vários textos bíblicos em que forçosamente a “Trindade” deveria ter sido mencionada, caso fosse uma doutrina verdadeira:
A oração-modelo, ensinada por Jesus Cristo, não menciona a Trindade, nem dois de seus supostos componentes (“Deus Filho” e “Deus espírito”), como destinatária (os) de nossas mensagens de comunhão com o Céu.

Mateus 6:9-13  Portanto, vós orareis assim: Pai nosso, que estás nos céus, santificado seja o teu nome; venha o teu reino; faça-se a tua vontade, assim na terra como no céu; o pão nosso de cada dia dá-nos hoje; e perdoa-nos as nossas dívidas, assim como nós temos perdoado aos nossos devedores; e não nos deixes cair em tentação; mas livra-nos do mal pois teu é o reino, o poder e a glória para sempre. Amém!

Quem ora unicamente ao Pai e pede que o atenda em nome de Jesus, como seu mediador, é porque, na prática, não crê na doutrina da Trindade. Quando Jesus foi transfigurado diante de Pedro, Tiago e João, de Moisés e Elias vieram ter com ele, não seria mais lógico que o Pai e o espírito viessem confortá-lo? Por que apenas Deus se manifestou?

Marcos 9:7-8 – este é o Meu Filho amado, a ele ouvi.

Jesus descreve o Pai como o único e verdadeiro Deus ele não deveria ter incluído também o “Deus Filho” e o “Deus espírito”, isto é, a Trindade?

João 17:1-3 – Tendo Jesus falado estas coisas, levantou os olhos ao céu e disse: Pai, é chegada a hora; glorifica a teu Filho, para que o Filho te glorifique a ti, assim como lhe conferiste autoridade sobre toda a carne, a fim de que ele conceda a vida eterna a todos os que lhe deste. E a vida eterna é esta: que te conheçam a ti, o único Deus verdadeiro, e a Jesus Cristo, a quem enviaste.

Avaliando atentamente, a doutrina da Trindade subsiste ao crivo das Escrituras Sagradas? Se, um dia todos nós estaremos diante de Deus e a sua direita está seu filho, esse Deus que exige adoração. Ou está na hora de você rever suas crenças?
A Bíblia é a palavra de Deus. O veículo através do qual Deus se comunica e inspira os homens através de Seus ditos, Seus costumes e Seus mandamentos. Estariam os trinitarianos, portanto, incorrendo na transgressão do primeiro mandamento?
“Não terás outros deuses diante de Mim”
Bom, já mostramos que não há menções ligando Jesus a Javé (Deus para os íntimos). Vamos analisar agora quem é esse Espírito Santo e qual é o meio que Deus usa para transmitir os dons espirituais:

Atos 2:38 – Respondeu-lhes Pedro: Arrependei-vos, e cada um de vós seja batizado em nome de Jesus Cristo para remissão dos vossos pecados, e recebereis o dom do espírito Santo.
Atos 10:45  E os fiéis que eram da circuncisão, que vieram com Pedro, admiraram-se, porque também sobre os gentios foi derramado o dom do Espírito Santo.”

O Espírito Santo é o espírito de:
I Coríntios 2:11 – Porque qual dos homens sabe as coisas do homem, senão o seu próprio espírito, que nele está? Assim, também as coisas de Deus, ninguém as conhece, senão o espírito DE Deus.

O Espírito Santo procede de:
João 15:26- 27 – Quando, porém, vier o Consolador, que eu vos enviarei da parte do Pai, o espírito da verdade, que dele procede, esse dará testemunho de mim; e vós também testemunhareis, porque estais comigo desde o princípio.

Vamos observar como Jesus fez para transmitir o Espírito Santo aos discípulos:

João 20:22 – E, havendo dito isto, soprou sobre eles e disse-lhes: Recebei o Espírito Santo.

Em outras palavras, o Espírito Santo procede de Deus (João 15:26-27). Por ser filho de Deus (o Pai), Jay Cee possui a mesma essência do Pai, sendo assim, possui o mesmo espírito do Pai.
E é através do espírito de Deus que Jesus convence os cristãos do pecado, da justiça e do juízo (João 16:8), habita nos cristãos (Gálatas 4:6) e está presente em todos os lugares ao mesmo tempo (Salmos 139:1-10).
Bom, uma das tentativas de refutação é aquela famosa frase em
João 10:30 – Eu o Pai somos um.

Quem defende a Trindade afirma que a mesma é um mistério e de difícil compreensão, nisso eu tenho que concordar, uma vez que realmente é muito difícil entender algo que segundo a Bíblia não existe, uma vez que Jesus Cristo afirma claramente que ele e o Pai são um. E não que Ele, o Pai e o espírito Santo são um, como afirmam os trinitarianos.

O problema não é a ausência do termo “Trindade” na Bíblia, mas a ausência do conceito de um Deus triúno. Onde na Bíblia está claramente descrito o conceito de um Deus formado por três pessoas?
É valido destacar que versículos onde simplesmente citam o Espírito, o Pai e o Filho não são de maneira nenhuma, suficientes para provar a Trindade – há a necessidade de provar que o único Deus é composto por três pessoas: Pai, Filho e espírito. Enquanto isso, a Bíblia está cheia de passagens afirmando a existência de um Deus único, e que este Deus é o Pai.

Outra refutação (idiota) é citar Gênesis 1:26 e seu famoso “Deus disse a Seu Filho: FAÇAMOS o homem à Nossa imagem”
Uma clara tolice, já que o verbo: “FAÇAMOS”, é um verbo coortativo.
“O coortativo é o volitivo da primeira pessoa. Pode expressar a manifestação da vontade da pessoa que fala, ou um apelo à vontade de outra (s) pessoa (s) com quem ela se identifica ou associa.”

Fonte – PINTO, Carlos Osvaldo Cardoso. Fundamentos para exegese do Antigo testamento: manual de sintaxe hebraica.
“O coortativo é o modo volitivo da 1ª pessoa, sendo formado pelo acréscimo da desinência (ah). …”
Fonte – BUDDE, Hollenberg – Gramática Elementar da Língua Hebraica. 8ª edição

Para vc ter outro exemplo de verbo coortativo o mesmo está em:
Gênesis 11:7: Eia, DESÇAMOS, e confundamos ali a sua linguagem, para que não entenda um a língua do outro.

 “Vale ainda salientar que a Bíblia não revela muitos mistérios e não devemos especular, mas existe uma grande diferença entre “Mistérios não Revelados ao Homem” e atentados à lógica. A doutrina da trindade não é um mistério, é um atentado à lógica, especialmente por violentar o mais elementar conceito sobre quantidade: Três deuses constituem um só Deus.”

Mas ainda há grabdes considerações a serem feitas a favor da trindade: [sic]
 “Estes Três São Um” – I João 5:7
Batismo em Nome do espírito Santo? – Mateus 28:19
A Autenticidade de Mateus 28:19
Se a trindade Não Existe, Como Entender Mateus 28:19?



Agora, vejamos como as outras religiões encaram a Trindade.

“a – D-us em três? A idéia cristã da trindade quebra D-us em três seres separados: o Pai, o Filho e o Espírito Santo (Mateus 28:19). Compare isto com o Shemá, a base da crença judaica: “Ouve, ó Israel, o Eterno nosso D-us, o Senhor é UM” (Devarim 6:4). Os judeus declaram a unicidade de D-us todos os dias, escrevendo-a sobre os batentes das portas (Mezuzá), e atando-a à mão e cabeça (Tefilin – filactérios).
Esta declaração da unicidade de D-us são as primeiras palavras que uma criança judia aprende a falar, e as últimas palavras pronunciadas antes de morrer.
Na Lei Judaica, adorar um deus em três partes é considerado idolatria – um dos três pecados cardeais, que o judeu prefere desistir da vida a transgredir. Isto explica porque durante as Inquisições e através da História, os judeus desistiram da vida para não se converterem.
Alguns pesquisadores ficam com os judeus de que Jesus NÃO é YHWH, ou fica c os cristãos de que Jesus é YHWH.
Essa confusão sobre YHWH realmente existe, encontrei um artigo bem interessante aqui: Qual é o nome de D’us?

Visão Islâmica sobre a Trindade:
“Deus: Só existe um Deus verdadeiro, e seu nome é Alá. Ele é Onisciente, Todo-Poderoso e Juiz Soberano. Contudo, ele não é um Deus Pessoal. Acha-se acima do homem em todos os sentidos, não podendo ser conhecido como uma personalidade. O Islamismo ensina a unidade da essência de Deus, excluindo explicitamente a doutrina da Santíssima Trindade. Não aceita a divindade de Jesus nem o Espírito Santo. Os muçulmanos não crêem na morte e ressurreição de Jesus nem na salvação por seu intermédio.”


Fonte: Ceticismo, ciencia e tecnologia



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